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Rafael Guimarães — Psicólogo, CRP 04/30844 Agendar consulta
Blog • Neurodivergência

47 abas abertas: como é ter um cérebro com TDAH na vida adulta

Quem olha de fora costuma ver bagunça, preguiça ou falta de vontade. Na prática, é um cérebro que funciona diferente e que gasta o dobro de esforço pra dar conta do que, pros outros, parece automático.

Por Rafael Guimarães, psicólogo — CRP 04/30844

47 abas abertas. Nenhuma salva. Se você tem TDAH, provavelmente sabe exatamente o que isso quer dizer, mesmo sem nunca ter contado o número. É um cérebro que esquece o copo d'água no caminho até a cozinha. Que passa nove horas dentro de uma planilha que ninguém pediu. Que teve a melhor ideia do ano no banho e saiu de lá sem lembrar nenhum detalhe dela.

Esses episódios costumam ser lidos, por fora, como desorganização ou falta de esforço. Por dentro, é o oposto: é esforço dobrado para sustentar o que, para um cérebro neurotípico, sai de forma automática.

Cinco hábitos que costumam se repetir

Começar vários projetos e terminar poucos. É a dopamina da novidade sumindo assim que o projeto vira rotina, não falta de vontade.

Comprar um caderno novo achando que agora vai se organizar. Funciona por alguns dias. O problema nunca foi o caderno.

Lembrar de um compromisso de dias atrás, no meio do banho. O cérebro TDAH não escolhe a hora de lembrar, só entrega o pensamento quando quer.

Abrir o celular pra fazer uma coisa e sair 40 minutos depois sem lembrar qual. Isso tem nome: hiperfoco combinado com cegueira temporal.

Dizer "só mais 5 minutinhos" e virar duas horas. Cegueira temporal de novo: estimar quanto tempo uma tarefa leva é genuinamente difícil pro cérebro TDAH.

Quando o diagnóstico chega e ninguém acredita

Uma das queixas mais comuns depois de um diagnóstico recente é: "contei para alguém e não acreditaram." O diagnóstico acabou de chegar, você ainda está processando o que ele significa, e a primeira reação de quem está ao redor costuma ser dúvida, não apoio.

"Todo mundo é distraído." "É falta de foco." "Mas você sempre se saiu bem."

Ter as palavras certas não muda quem você é. Mas ajuda a não absorver a dúvida dos outros como se fosse sua. O diagnóstico não inventa um problema que não existia, ele nomeia um padrão que sempre esteve lá, só que sem explicação.

Sobre quem escreve isso

Sou Rafael, psicólogo clínico com 16 anos de experiência, abordagem em Gestalt-terapia e diagnóstico próprio de TDAH. Atendo adultos neurodivergentes em Ouro Branco, MG, e online para todo o Brasil. CRP 04/30844.

Se reconheceu esses sinais?

Dá pra começar com uma conversa sobre o que você tem notado, sem compromisso de decidir nada ainda.

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