"Eu não confio em mais nada que ele diz." Isso é esperado, não é exagero. A traição quebra a certeza básica que sustentava a relação. O primeiro trabalho da terapia não é reconstruir confiança, é dar espaço pra dor sem pressa de resolver. Descobrir uma traição muda retroativamente como a pessoa entende o próprio passado, e isso também precisa de espaço no processo.
"Eu não sei nem te explicar por que fiz isso"
Impulsividade, desregulação emocional e busca por estímulo podem fazer parte da equação, principalmente em quadros de TDAH. Isso vale um cuidado: TDAH nunca é causa determinística de traição, e a maioria das pessoas com TDAH nunca trai. Entender o mecanismo não apaga a responsabilidade. Isso não é desculpa, é o ponto de partida pra mudar.
Como a terapia trabalha esse processo
O processo costuma seguir uma ordem: primeiro validar a dor de quem foi traído, depois entender o que levou à traição sem justificar, e só então trabalhar a reconstrução de confiança e um novo acordo entre os dois. Atalho, nesse caso, geralmente significa pular uma dessas etapas e pagar o preço depois.
Também não tem prazo fixo. O que reconstrói confiança é consistência sustentada ao longo do tempo, meses de comportamento coerente dos dois lados, não uma conversa só.
Sobre quem escreve isso
Sou Rafael, psicólogo clínico com 16 anos de experiência, especialista em terapia de casal (monogâmico ou não monogâmico) e abordagem em Gestalt-terapia. Atendo em Ouro Branco, MG, e online para todo o Brasil. CRP 04/30844.