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Rafael Guimarães, Psicólogo, CRP 04/30844 Agendar consulta
Blog • Neurodivergência

Psicólogo com TDAH: o outro lado da sala

O tema do Dia Mundial da Saúde Mental de 2026 é ouvir quem vive. Então este texto fala de experiência vivida: a minha, como psicólogo com TDAH, e o que ela me ensinou sobre escolher terapeuta sendo neurodivergente.

Por Rafael Guimarães, psicólogo, CRP 04/30844

O tema deste ano

O Dia Mundial da Saúde Mental, em 10 de outubro, é promovido pela Federação Mundial de Saúde Mental (WFMH). Em agosto de 2026, a federação anunciou o tema do ano: Lived Experiences Heard: Real Voices, Real Change, algo como "experiências vividas, ouvidas: vozes reais, mudança real". A ideia é que pessoas que vivem uma condição de saúde mental sejam ouvidas, e não só faladas.

A minha experiência

Sou psicólogo clínico há 16 anos. E tenho TDAH, diagnosticado na vida adulta.

Por décadas, a compensação foi escondendo. Ela deu conta, antes que alguém perguntasse o porquê. O diagnóstico não chegou cedo. Chegou quando finalmente fez sentido perguntar.

Com o tempo de clínica, percebi um padrão: com pacientes neurodivergentes, o trabalho flui de outro jeito. Não é sobre gostar mais de um paciente do que de outro. É sobre o trabalho fluir. Foi essa percepção, e não uma estratégia, que definiu o foco do consultório: adultos com TDAH, altas habilidades (AHSD) e TEA, e as pessoas que convivem com eles.

O que a autorrevelação é, e o que não é

Falar da própria experiência como terapeuta é uma escolha que pede cuidado. Pesquisas sobre autorrevelação do terapeuta, como a revisão de Clara Hill e Sarah Knox publicada em 2001, sugerem que ela tende a ser útil quando é pontual e quando devolve o foco para quem está sendo atendido, e não para quem atende.

Na Gestalt-terapia, a abordagem em que trabalho, a relação entre terapeuta e paciente é vista como um encontro real, em que o terapeuta também está presente, e não apenas observando. Dizer que tenho TDAH não transforma a sessão numa conversa sobre mim. Serve para tirar do caminho uma pergunta que muita gente carrega: será que essa pessoa vai entender?

Se você é neurodivergente e está procurando terapia

Ter um terapeuta neurodivergente não é requisito. O que faz diferença é o profissional entender como essas condições aparecem em adultos e estar disposto a adaptar o processo. Algumas perguntas ajudam na escolha:

  • Você tem formação ou experiência com TDAH, TEA ou altas habilidades em adultos?
  • O trabalho segue um protocolo fixo, ou se adapta ao meu jeito de funcionar?
  • Como lidamos com esquecimentos, atrasos ou dias em que eu não consigo falar muito?
  • Faz sentido atender online, presencial ou alternar, considerando minhas questões sensoriais e de rotina?

Nenhuma dessas perguntas é exagero. Elas dizem respeito a como o processo vai funcionar na prática, e um bom profissional costuma ficar à vontade para respondê-las.

Perguntas frequentes

Preciso de um terapeuta neurodivergente se eu for neurodivergente?

Não necessariamente. O que importa é que o profissional entenda como TDAH, TEA e altas habilidades funcionam em adultos e esteja disposto a adaptar o processo ao seu jeito de funcionar.

Preciso ter diagnóstico fechado para começar a terapia?

Não. Muita gente começa o acompanhamento ainda com dúvida, e decide depois se quer buscar uma avaliação formal.

O atendimento é online?

Sim. O atendimento é online para todo o Brasil e para brasileiros no exterior, e presencial em Ouro Branco, MG.

Referências

  • World Federation for Mental Health (2026). World Mental Health Day 2026: Announcing This Year's Theme. wfmh.global, 11 ago. 2026.
  • Hill, C. E. & Knox, S. (2001). Self-disclosure. Psychotherapy: Theory, Research, Practice, Training, 38(4), 413–417.

Sobre quem escreve isso

Sou Rafael, psicólogo clínico com 16 anos de experiência, formação em Gestalt-terapia e pós-graduação em TEA. Tenho TDAH, diagnosticado na vida adulta. Atendo adultos neurodivergentes e casais em Ouro Branco, MG, e online. CRP 04/30844.

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