O tema deste ano
O Dia Mundial da Saúde Mental, em 10 de outubro, é promovido pela Federação Mundial de Saúde Mental (WFMH). Em agosto de 2026, a federação anunciou o tema do ano: Lived Experiences Heard: Real Voices, Real Change, algo como "experiências vividas, ouvidas: vozes reais, mudança real". A ideia é que pessoas que vivem uma condição de saúde mental sejam ouvidas, e não só faladas.
A minha experiência
Sou psicólogo clínico há 16 anos. E tenho TDAH, diagnosticado na vida adulta.
Por décadas, a compensação foi escondendo. Ela deu conta, antes que alguém perguntasse o porquê. O diagnóstico não chegou cedo. Chegou quando finalmente fez sentido perguntar.
Com o tempo de clínica, percebi um padrão: com pacientes neurodivergentes, o trabalho flui de outro jeito. Não é sobre gostar mais de um paciente do que de outro. É sobre o trabalho fluir. Foi essa percepção, e não uma estratégia, que definiu o foco do consultório: adultos com TDAH, altas habilidades (AHSD) e TEA, e as pessoas que convivem com eles.
O que a autorrevelação é, e o que não é
Falar da própria experiência como terapeuta é uma escolha que pede cuidado. Pesquisas sobre autorrevelação do terapeuta, como a revisão de Clara Hill e Sarah Knox publicada em 2001, sugerem que ela tende a ser útil quando é pontual e quando devolve o foco para quem está sendo atendido, e não para quem atende.
Na Gestalt-terapia, a abordagem em que trabalho, a relação entre terapeuta e paciente é vista como um encontro real, em que o terapeuta também está presente, e não apenas observando. Dizer que tenho TDAH não transforma a sessão numa conversa sobre mim. Serve para tirar do caminho uma pergunta que muita gente carrega: será que essa pessoa vai entender?
Se você é neurodivergente e está procurando terapia
Ter um terapeuta neurodivergente não é requisito. O que faz diferença é o profissional entender como essas condições aparecem em adultos e estar disposto a adaptar o processo. Algumas perguntas ajudam na escolha:
- Você tem formação ou experiência com TDAH, TEA ou altas habilidades em adultos?
- O trabalho segue um protocolo fixo, ou se adapta ao meu jeito de funcionar?
- Como lidamos com esquecimentos, atrasos ou dias em que eu não consigo falar muito?
- Faz sentido atender online, presencial ou alternar, considerando minhas questões sensoriais e de rotina?
Nenhuma dessas perguntas é exagero. Elas dizem respeito a como o processo vai funcionar na prática, e um bom profissional costuma ficar à vontade para respondê-las.
Perguntas frequentes
Preciso de um terapeuta neurodivergente se eu for neurodivergente?
Não necessariamente. O que importa é que o profissional entenda como TDAH, TEA e altas habilidades funcionam em adultos e esteja disposto a adaptar o processo ao seu jeito de funcionar.
Preciso ter diagnóstico fechado para começar a terapia?
Não. Muita gente começa o acompanhamento ainda com dúvida, e decide depois se quer buscar uma avaliação formal.
O atendimento é online?
Sim. O atendimento é online para todo o Brasil e para brasileiros no exterior, e presencial em Ouro Branco, MG.
Referências
- World Federation for Mental Health (2026). World Mental Health Day 2026: Announcing This Year's Theme. wfmh.global, 11 ago. 2026.
- Hill, C. E. & Knox, S. (2001). Self-disclosure. Psychotherapy: Theory, Research, Practice, Training, 38(4), 413–417.
Sobre quem escreve isso
Sou Rafael, psicólogo clínico com 16 anos de experiência, formação em Gestalt-terapia e pós-graduação em TEA. Tenho TDAH, diagnosticado na vida adulta. Atendo adultos neurodivergentes e casais em Ouro Branco, MG, e online. CRP 04/30844.